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Few days on land

Um retrato do dia-a-dia de uma jovem de viagens quase sempre musicais e nem sempre coloridas.

A tragédia nascida de um grande amor

Cruel. Sem misericórdia. Difícil de assistir sem ficar emocionada. Diria que George R.R. Martin tem uma clara (e incómoda) preferência pelos vilões das suas histórias. Só esse facto explica o nono episódio da terceira temporada da série «A Guerra dos Tronos».

As pessoas que seguem a história da série depois de terem lido os livros esperavam este desfecho de temporada. Todos os outros fãs simplesmente não esperavam. Eu não esperava. É verdade que, pelo que tenho visto da série, os livros devem ser extremamente interessantes (e melhores) mas, por mais que quisesse ler toda a colecção num futuro próximo, parece que ainda vou ter de esperar bastante para isso. É preciso mais do que tempo... Para seguir esta história é preciso ter coragem.

Rejubilei com o início do episódio quando Catelyn Stark, a mãe, pediu ao Robb, o seu filho mais velho: "Mostra-lhes como é perder o que amam". A família Stark está a perder desde a primeira temporada. Para além da morte de Nedd Stark, o pai, e a destruição da "casa" Stark, os restantes elementos da família estão afastados uns dos outros. 

Pensei: "É desta que os traidores, os ambiciosos, aqueles que vivem para o dinheiro e lutam por cada pedaço de poder que puderem alcançar, vão ter o que merecem". 

Enganei-me.

Robb e a sua mulher, grávida, Talyssa, juntamente com Catelyn, foram ao casamento de Edmure Tully, o tio, que teria um autêntico banquete sanguinário como festa.

Durante o jantar, Robb esteve sempre muito sorridente, algo que não havia sido comum na personagem até então. Assim, era possível prever que a felicidade não duraria muito tempo. Entretanto, os fãs tiveram direito a uma cena emotiva que foi, ao mesmo tempo, uma despedida: Talyssa confessou a Robb que queria dar o nome do seu pai, Nedd, ao filho que o casal esperava, caso este fosse menino. Não chegaram a saber eles e certamente não chegam a saber os espectadores.

A forma como Catelyn se apercebe do que está para acontecer, reparando nos pormenores que a rodeavam foi muito bem pensada pelo autor da história e, em cena, a actuação da actriz Michelle Fairley é sublime. As portas são fechadas e soa a melodia de "The Rains of Castamere" (música da Casa Lannister), que em episódios anteriores foi apresentada como a música que havia tocado durante a execução de outra família.

 
A cena que se vê logo depois desta acaba com todas as expectativas de que alguém se salve. Os soldados matam o descendente de Robb ainda antes de matarem Talyssa e depois voam setas em todas as direcções. Se não me engano, voaram três em direcção ao Robb. É impossível ver esta cena sem estar minimamente chocado e emocionado. Impossível.
Robb ainda conseguiu levantar-se, ir à beira de Talyssa e perceber que nem ela, nem o filho se iriam salvar. Depois chamou pela mãe, que estava prestes a matar a mulher do homem que planeou este "banquete". Aquele "Mother" trazia tanto amor... Não fosse Roose Bolton escolher esse momento para assassinar Robb e Catelyn continuaria viva, a olhar para o seu filho mais velho para sempre.
Foi o golpe final para Catelyn. O filho do responsável pela tragédia, que já tinha matado Talyssa, matou Catelyn rasgando-lhe a garganta. Mas ela não precisava desse golpe. Catelyn já estava morta. E... I really don't see that coming! Por esta, eu não esperava. 
Toda a cena foi muito demorada. Eu diria que foi demorada demais. Principalmente para quem admira a família Stark. Os créditos não tiveram direito a música, não havia ninguém que suportasse música depois deste episódio. Apenas o silêncio.

Uma das expressões mais utilizadas ao longo da série é "Valar Morghulis" que, segundo soubemos nesta temporada quer dizer "All men must die" ou, em português, "Todo o homem deve morrer". É uma expressão crucial, principalmente depois de um episódio como este. A personagem que mais tem gerado controvérsia a quem assiste «A Guerra dos Tronos» é Joffrey Baratheon pela sua loucura exacerbada e pelos seus "requintes de malvadez". Mas um episódio pode mudar tudo. E mudou.

Ainda hoje é difícil dizer/escrever o nome das famílias responsáveis pela morte de um dos meus personagens favoritos. O Rei do Norte.   

Tornou-se claro que por mais tempo que passe e mesmo que acontecimentos futuros sejam piores, nenhum fã de «A Guerra dos Tronos» irá esquecer este episódio. Não é um exagero. O episódio foi trágico. Épico.

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