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Few days on land

Um retrato do dia-a-dia de uma jovem de viagens quase sempre musicais e nem sempre coloridas.

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios 2013

Amanhã comemora-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e, para a edição deste ano, foi eleito o tema "Património + Educação = Identidade". A Direcção-Geral do Património Cultural apresenta uma programação com cerca de 500 iniciativas a decorrer um pouco por todo o país (Continente e Ilhas). Para consultarem o programa basta ir à página criada para o efeito escolher o Concelho e/ou o Tema que pretendem e têm, de certeza, escolhas muito difíceis a fazer uma vez que temos a sorte de viver num país com imensos locais de interesse.

Celebrem o que Portugal tem de melhor e não se esqueçam de preservá-lo porque para o ano há mais!

Não há limites para a solidariedade

Sou da opinião de que em tempos de crise, as pessoas são mais generosas (falo de pessoas normais, o chamado povo, ou de instituições de solidariedade porque se formos falar dos mais ricos, dos banqueiros, dos governantes, prova-se o contrário). Espantam-me as inúmeras campanhas e recolhas (tanto a nível monetário como de bens de primeira necessidade) que já não são exclusivas de certas épocas do ano (como, por exemplo, o Natal). É certo que o momento que se vive, principalmente em determinadas partes da Europa, é preocupante e as pessoas estão cada vez mais sensíveis a essa carência. Já o dicionário define que solidariedade é o "sentimento que leva a prestar auxílio a alguém", a "responsabilidade recíproca entre elementos de um grupo social, profissional, institucional ou de uma comunidade" e/ou o "sentimento de partilha do sofrimento alheio".

Podia escolher falar de muitas dessas iniciativas mas escolhi apresentar-vos a Biciaventura Solidaria. A iniciativa é espanhola e realiza-se, anualmente, desde 2004. Com os valores do diálogo, humanismo, entusiasmo ou acessibilidade, um grupo de cerca de 15 pessoas que partilha o gosto por viagens, desporto e, principalmente, pelo seu meio envolvente e pelos desajustes sociais entre os diferentes países, viaja de bicicleta, em percursos fisicamente exigentes (os participantes percorrem mais de 2000 km em cada etapa) para conhecer outras culturas e locais mais distantes mas também para espalhar gestos de pura solidariedade.

Com outra forma de viajar e de olhar a vida o grupo tem o objectivo de melhorar o direito de bem-estar, de saúde e educação das crianças por todo o mundo. A equipa é composta por pessoas que têm entre os 30 e os 60 anos, na sua maior parte profissionais de desporto, e já realizou um total de oito etapas. 

  - Primeira etapa (2004): Toledo - Roma

  - Segunda etapa (2005): Roma - Istambul

  - Terceira Etapa (2006): Istambul - Jerusalém - Petra

  - Quarta etapa (2007): Paquistão - Índia - Nepal

  - Quinta etapa (2008): Laos - Tailândia - Camboja - Vietname (etapa em que financiaram a compra de 600 bicicletas, a realização de um estudo clínico sobre o cancro do útero e da mama, a construção de 33 poços, água para 15000 pessoas e a construção de um centro, no Camboja, para meninos de rua)

  - Sexta etapa (2009): Uganda - Ruanda - Burundi - Tanzânia (nesta etapa financiaram a construção de um centro hospitalar no Burundi e uma casa-escola para meninos órfãos no Uganda)

  - Sétima etapa (2010): Etiópia (financiaram a manutenção de 150 crianças no Orfanato de Saint Mary e entregaram microcréditos a famílias para que estas desenvolvessem a sua agricultura)

Este ano os participantes da iniciativa percorreram um total de 2500 kms entre Sevilha e Toledo, em Espanha. Recolheram 18 toneladas de alimentos e produtos de higiene que distribuíram pela Cruz Vermelha, pela Cáritas, pelo Banco Alimentar e outras pequenas organizações de assistência social espanholas.

Conheci esta iniciativa em 2010, quando assisti ao documentário "Etiopía, esperanzas olvidadas: 7ª etapa de la vuelta al mundo solidaria en bicicleta" (ou, em português: "Etiópia, esperanças esquecidas: 7ª etapa da volta ao mundo solidária em bicicleta"). Em Tordesilhas foi inaugurada uma exposição fotográfica com 75 fotografias da vida, das carências e da cultura da Etiópia.

Realizado por Emma Camarero, professora da Universidade de Salamanca, e uma equipa de alguns dos seus alunos da Licenciatura de Comunicação Audiovisual, o documentário não mostrava apenas as conquistas dos participantes mas também as suas principais dificuldades apresentando o reflexo audiovisual da viagem. No entanto, as melhores imagens surgiam com a alegria de crianças que sabem o que é não ter nada, para além de fome e miséria, para viver. Aquilo que para nós é acessível, como comer uma bolacha, por exemplo, tornava-se no melhor presente para aquelas crianças. No mínimo: emocionante!

Deixo-vos a fotografia que foi utilizada na apresentação do documentário:

E, já agora, não se esqueçam de ajudar os outros. Não porque se os ajudarem eles vos ajudarão também, mas porque ajudar faz-nos crescer, faz de nós ser humanos melhores e faz-nos perceber que os nossos problemas são pequenas gotas num oceano imenso! Todos juntos, por um mundo mais solidário e amigo. :)

                                                                                                    Joana Pires

Sou contra o português com laivos de "português açucarado"

Em Portugal é difícil ser resistente quanto às normas que se vão legislando, mas eu resisti. Segundo o Artigo 37.º da Constituição da República Portuguesa, "Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento (...) bem como o direito de se informar e de ser informados, sem impedimentos, nem discriminações." (ponto 1) e "o exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura" (ponto 2). Assim sendo, sou contra o Acordo Ortográfico e a aproximação do português de Portugal ao português do Brasil (que também conheço, em tom de "brincadeira" como português açucarado, uma vez que brasileiro, como definição de língua, não existe) . É cada vez menor o número de leis com lógica em Portugal, mas a mudança que estão a fazer quanto à ortografia é, na minha opinião, absurda. Não sou daquelas pessoas que discordam só para ser do contra ou simplesmente não gostam de mudanças e criticam tudo e todos. Pensei muito sobre o assunto, mas não mudei a minha opinião. Só isso.

Tive uma disciplina chamada Património e Identidade, na qual aprendi que o património não é sempre algo de material mas é algo que é reconhecido pela comunidade como uma mais valia cultural, como é o caso da Língua Portuguesa, que é também parte da nossa identidade, que nos diferencia dos restantes países do mundo. Para não me deixar mentir, existe o Ministério da Educação e Ciência que define património cultural como "todos os bens que, sendo testemunhos com valor de civilização ou de cultura portadores de interesse cultural relevante" devem ser "objecto de especial protecção e valorização". Parece-me contraditório mas para o caso de não se perceber bem porquê continuemos a ler a informação disponibilizada na página, que determina que "A língua portuguesa, enquanto fundamento da soberania nacional, é um elemento essencial do património cultural português". Será hora de citar Scolari que há uns anos perguntava se o burro era ele? Para já talvez seja melhor não citar mais nada...

Por agora fico apenas a imaginar como pode sentir-se alguém que tenha chumbado o ano ou reprovado em testes de português por escrever como hoje é aceitável (sim, aconteceu e muito mais do que se imagina). Se tivesse acontecido comigo, estaria muito chateada. Afinal, muitos portugueses podem ter perdido anos de estudo mas se fosse hoje eram excelentes alunos. Há quem diga "é como tudo" ou "temos pena". Bem, é como tudo não... A educação deve ser tratada com muita seriedade e responsabilidade. (Desculpem, por momentos esqueci-me que falamos de Portugal). E nós também "temos pena" que os pais façam esforços monetários para comprar manuais, dicionários, gramáticas, entre outros, para os seus filhos e no ano seguinte tenham que substituir tudo por ordem de dois ou três que têm dinheiro, principalmente se considerarmos a actual situação financeira portuguesa. Da minha parte, mais informo, caros amigos, nasceram na época errada, mas acredito que não estou a dar-vos nenhuma novidade.

Quanto à questão da aproximação ao português do Brasil, que está em vigor desde 2009, é interessante olhá-la relembrando o passado. Pedro Álvares Cabral (sim, um descobridor português) descobriu o Brasil mas ao longo dos tempos somos nós que nos aproximamos deles a nível linguístico. Os papéis não estão trocados? Não tenho nada contra o povo brasileiro, muito pelo contrário, mas acho que caso se tivesse mantido o acordo anterior, cada país teria forma de distinguir-se pelo seu (repito!) património cultural. Para além disso, é sabido que o Governo brasileiro adiou por três anos a obrigatoriedade de aplicação do AO para 1 de Janeiro de 2016 (sem esquecer que Angola recusou que o AO entrasse em vigor, algo que devia servir de exemplo para o Governo de Portugal). Este facto já foi desmentido ao jornal Público por Carlos Reis, professor e defensor do AO, que leccionou em 2011-2012 na Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Carlos Reis disse que o AO "foi já generalizadamente adoptado no Brasil, sem dramas nem histerias". Quero lembrá-lo, Doutor Carlos Reis, que não são os brasileiros que têm de se adaptar, visto que somos nós que temos de passar a escrever como eles. Assim, torna-se muito fácil falar quando se está desse lado. Quanto aos histerismos, a única histeria dos brasileiros seria o facto de com o AO deixarmos de ser um "povo irmão" para sermos os "filhos" deles. Estamos a criar um só português, uma só língua. E eu, nos meus direitos, não aprecio esta medida.   

Em 2009 surgiu o Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico, uma petição que foi apoiada e assinada por diversas figuras importantes na sociedade portuguesa como é o caso de Zita Seabra (política e editora portuguesa), Vasco Graça Moura (político e escritor), António Lobo Xavier (político e advogado) ou José Pacheco Pereira (político, historiador, professor universitário e comentador político), entre outros. Também o jornal Público ou a Sociedade Portuguesa de Autores continuam sem adoptar o Acordo Ortográfico, o que é de louvar.

 

Então, a partir de agora, já sabem... Aqui, escrevo o português que aprendi, o português que gosto, o português que estava em vigor nos anos 90 (benditos anos 90!).

 

                                                                                          Joana Pires

 

O melhor pastel de nata de Portugal

Na passada quarta-feira o júri do concurso "O melhor pastel de nata" de Lisboa, elegeu a Pastelaria Aloma como a melhor produtora deste bolo. A decisão foi tomada durante o festival de gastronomia Peixe em Lisboa e a Pastelaria Aloma ganhou a distinção pelo segundo ano consecutivo. Na minha opinião, o melhor pastel de nata de Portugal (Lisboa é pouco!) pode ser encontrado na NATA , que existe em Lisboa (Príncipe Real, Bica e brevemente em Cascais) e no Porto (Santa Catarina). No entanto, o pastel de que falo não esteve entre as finalistas e, não sei bem porquê (ou talvez seja porque este pastel tem mesmo muita qualidade), algo me faz acreditar que não chegaram a ser provados. De qualquer forma, e aproveitando uma visita ao Porto, não pude deixar de passar por lá. Aqui fica a fotografia da visita :)

Obrigado C. pela companhia :)