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Few days on land

Um retrato do dia-a-dia de uma jovem de viagens quase sempre musicais e nem sempre coloridas.

Álbuns de 2016: Moth, de Chairlift

Os Chairlift, duo americano formado em 2005 por Caroline Polachek e Patrick Wimberly, regressam aos registos discográficos com Moth, disco do qual já conhecíamos as faixas "Ch-Ching" e "Romeo". Editado pela Columbia Records, Moth saiu a 16 de Janeiro. Três anos após o lançamento de Something, álbum de Janeiro de 2012, Caroline e Patrick voltaram em força e prometem ficar porque trouxeram músicas capazes de alcançar o rótulo de the next big thing e trazê-los a Portugal novamente, muito em breve (de relembrar que eles marcaram presença na edição de 2015 do Vodafone Mexfest).

 

O alcance vocal de Caroline Polachek é impressionante e a variação vocal que ela imprime nas canções é talvez a característica mais vincada da banda. Muitos reconhecem-nos porque sabem que assistir a um concerto deste duo é praticamente o mesmo que ouvir o CD, apenas no que respeita à qualidade dos agudos de Polachek, como é óbvio. A energia nem se compara! Caroline tem uma voz imensa, que impressiona, mas que só brilha se Patrick Wimberly fizer o seu trabalho dando groove instrumental à coisa. Aliás, Wimberly tem menos intervenções vocais em Moth do que nos discos anteriores, certamente para se concentrar nos múltiplos sons que os Chairlift revivem faixa a faixa. Vi-os no Primavera Sound de 2012 e adorei. Já era fã mas ainda fiquei mais. 

 

 

       

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Desde Does You Inspire You, primeiro álbum da banda, que o synth-pop é a praia certa para os Chairlift e, por isso, esperava-se que este álbum estivesse dentro do estilo. E está. Analisando as canções, "Romeo" e "Ch-Ching" foram os primeiros singles conhecidos porque são também as faixas com melodias mais semelhantes aos grandes êxitos da banda como "Amanaemonesia" ou "I Belong in Your Arms", faixas incluídas em SomethingMoth tem 10 canções originais, sendo as minhas favoritas "Look Up", "Polymorphing", "Crying In Public", "Ch-Ching" e "Moth to the Flame".  


Li algures que se nota perfeitamente como o som dos álbuns tem evoluído e está hoje muito mais "limpo" do que o som do álbum que os lançou, em 2008. Concordo plenamente, embora Does You Inspire You seja um dos meus álbuns favoritos de sempre, com músicas como "Planet Health", ou "Earwig Town", sem esquecer, naturalmente, "Bruises" - que deve ser uma das músicas que mais cantei na vida, ainda hoje sei cada palavra da letra - e "Somewhere Around Here", uma das melodias mais bonitas que já ouvi.

 
"Moth to the Flame" impressiona por ser extremamente pop, digno de se transformar num hit brevemente. É super dançável, animada, e tem Polachek a mostrar a amplitude de que falava no início, parte da sua identidade. "Show U Off", a canção que se lhe segue, herda vários aspectos da anterior: batida marcada, é up beat, melodia dançável, ainda que menos identificável com as criações de Chairlift.

 

Um dos pontos também caracerísticos desta banda e que gosto de ver que não esqueceram em Moth, é o facto de incluirem sons menos usuais neste estilo nas suas músicas e combinarem-nos com sons electrónicos, as guitarras e as vozes de uma forma diferente das outras bandas. Com os Chairlift parece que essa junção corre sempre bem. É difícil apontar-lhes defeitos. Em "Ottawa to Osaka", por exemplo, ouvimos violinos misturados com sons orientais e electrónica. E não podemos dizer que não funciona. Escolho "No Such Thing as Illusion" (boa letra!), "Unfinished Business" e "Show U Off" como as menos favoritas do álbum.

 

Ouvir Chailift soa sempre a uma viagem. Acontecem várias coisas, todas elas diferentes, conseguimos passar por diversos estados de espírito, e imaginar paisagens bastante díspares. Não diria que Moth é mais do mesmo, mas também não é um flop. Mudaram pequenas coisas e, neste caso, isso correu bem.

 

Recomendo!

 

Álbuns de 2016: Anti, de Rihanna

A Rihanna é uma daquelas artistas que não se diz que se ouve. Convém... Ao estilo do Bieber. Mas, de repente, este Anti ia ser tudo... Eram as revistas e os experts no assunto a dizer que estavam muito ansiosos pelo disco, que ia ser diferente, muito mais underground, muito menos pop, que prometia muito. Prometia, prometia mas... Não cumpriu. Pelo que li, só o lançamento originou vários contratempos: primeiro era para ser lançado numa data, depois era para só ser disponibilizado a alguns clientes em primeira mão, e acabou por "cair" na internet, disponível e gratuito para quem quisesse fazer o download. A polémica levou-me a perder algum tempo a ouvi-lo. É que foi mesmo uma perda de tempo! 

Comecei a ouvir enquanto escrevia umas coisas para o trabalho (só assim é que consigo ouvir música agora). Passado 20 minutos pensei: então mas isto ainda está na mesma música?. Estava na sétima. Achei as músicas muito semelhantes. Não começou muito bem. "Kiss It Better" pareceu-em ser a canção menos má desses 20 minutos, é mais o estilo dela. Em "Work", canção-tipo de Rihanna, a cantora parece uma autêntica criança a cantar. Na na na. Uaba Uaba. Ta ta ta. Não percebi. 

 

 

 

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Depois de tudo isto, o disco é uma valente seca. Na minha opinião, acrescenta muito pouco ao que ela tinha feito anteriormente e acredito que a Ri Ri não queira voltar a ir por estes caminhos. Talvez "Never Ending" se salve por entre os pingos da chuva e ainda tínhamos de pensar bem nesse assunto. Tem muitos sons que relembram outros artistas. E quando pensamos "ok é melhor nem falar nisso para não parecer que isto está um desastre completo e nada se aproveita", esta senhora resolve fazer uma cover de "New Person, Same Old Mistakes", dos Tame Impala. Aí sim o desastre total.

 

Não sou a maior fã de sempre de Tame Impala. Considerei o álbum deles o melhor de 2015 porque o é e porque sigo o percurso que têm vindo a fazer. Há muitas músicas que são das melhores que tenho ouvido nos últimos anos, mas não sou uma enciclopédia no que respeita à banda. E, ao que parece, a Rihanna também não é. Uma verdadeira fã da canção, que ela intitulou de "Same Ol Mistakes", nunca faria o que ela fez: nada. O Kevin Parker já cantou na versão original todos os falsetes que Rihanna tenta imitar. Ela podia ter feito muito mais do que apenas cantar a música como se estivesse a adormecer. Se forem ouvir as duas versões supostamente distintas percebem que é só tirar as partes em que o Kevin não faz falsetes e temos a linha musical da versão incluída em Anti, ou seja, é como se a Rihanna se tornasse uma das backup singers dos Tame Impala (que eles não têm mas podiam precisar para trazer ao Alive). Ridículo. Chega até a ser insultuoso.  

 

Depois de ouvir isto, recupero esses grandes versos de "Work": Na na na na na na

Sobre os Óscares...

Está tudo numa onda de boicote à cerimónia dos Óscares 2016 e eu vou fazer o mesmo. Não por questões raciais, mas porque não compreendo como é que ainda não reconheceram o Quentin Tarantino com o Óscar de Melhor Realizador e o Leonardo DiCaprio com o de Melhor Ator (não é que ambos não tenham uma carreira preenchida de enormes sucessos...), porque é que o filme "Her" não ganhou na categoria de Melhor Banda Sonora Original, ou porque é que o "Gone Girl" nem ficou nomeado para Melhor Roteiro e o Miles Teller não entrou nas contas dos melhores atores pelo Andrew Neiman de "Whiplash"... Consigo pensar em várias injustiças e estou apenas a cingir-me às edições mais recentes. Injustiças, boicotes... Opiniões! Todos os anos é a mesma coisa. Isto deve ser moda nos States. E tudo o que é moda nos States...