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Few days on land

Um retrato do dia-a-dia de uma jovem de viagens quase sempre musicais e nem sempre coloridas.

Salvadorable: a vitória da simplicidade

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Salvador não é de hoje. Salvador é de há muito tempo. Era ele um dos meus favoritos à vitória no Ídolos. Sim, porque eu vejo estes programas quando posso. E, digam o que disserem relativamente aos concursos de talentos (mais entretenimento), a verdade é que há muitos bons artistas a fazer carreira em Portugal que saíram de lá. De resto, não só o Salvador como também a irmã, Luísa Sobral, são exemplos disso. Agora, há que saber sair de um concurso destes e formar a personalidade artística, como tantas vezes o Salvador tem referido. Não é fácil, muita gente pensa que se fizer covers toda a vida vai ser um grande artista. É aí que entra aquilo que para mim faz um músico: saber escrever (em português primeiro) e saber compor. E se não sabem vão aprender, como eles fizeram e como têm feito todos os artistas que saíram desses programas e estão a conseguir viver da música em Portugal. A voz é importante mas se o artista não tiver tudo o resto, não vai resultar. Levar a música com seriedade, apostar no conhecimento e na descoberta do que podem trazer de diferente ao panorama musical. Podem ter sucesso se fizerem música pela fama, para aparecer. Vai resultar no início (bem sabemos como funciona isto das aparências) mas é efémero. E efémero é aquilo que Salvador Sobral não será jamais. O talento, distinto e raro por sinal, não lhe bastou. Ele quis mais, procurou o conhecimento, inspirou-se em artistas que admirava e aprendeu com eles, soube ouvir e, principalmente, sentir. Permitiu-se viver diferentes experiências, soube distinguir o que queria do que não queria. Deixei de ouvir falar dele pouco tempo depois do Ídolos e pensei que ele tinha desistido da música até saber do lançamento do disco Excuse Me em 2016. 

 

Nesta Eurovisão, Salvador Sobral geriu as expectativas, tinhas os pés assentes na terra, não se interessou pelos floreados, resistiu a comentários negativos quando venceu o Festival da Canção em Portugal e conseguiu o que poucos acreditavam ser possível. Eu inclusive. Não porque duvide das capacidades do Salvador, como certas pessoas. Isso nunca. Pelo contrário: eu adoro a voz do Salvador, achei a melodia de "Amar pelos Dois" linda e a letra... Vocês sabem como eu gosto de letras portuguesas bem escritas! O que eu achava é que era uma música boa demais para a Eurovisão porque normalmente os artistas que ganham não têm esta qualidade, este sentimento. Mas sempre acreditei na canção em si. É uma das melhores composições que ouvi nos últimos anos e a única pela qual torci desde o início no Festival da Canção. De verdade, nunca julguei que a Europa iria reconhecer este talento, como merecido, porque a Eurovisão parece formatada a um estilo muito pop comercial que não me agrada (é só ver pelos comentários que fui fazendo no Facebook às músicas da final ontem... Se tinha um TOP 5 em 26 canções era muito). Ás vezes é tão bom estar enganada!      

 

Fiquei surpreendida mas muito feliz porque finalmente ganhou a música com conteúdo, a música elaborada na letra e melodia, a canção trabalhada sempre de forma diferente. E eu, que gosto muito de música, aprecio imenso esta vitória. Não só como a vitória da magia, do reconhecimento e do amor mas, principalmente, da simplicidade. Percebemos que os poucos adereços em palco, a roupa simples e a aposta na voz e no sentimento ganhou. E isso é priceless. Não deixa de ser curioso que o Salvador tenha ganho a Eurovisão no dia 13 de Maio. Um benfiquista. E que Portugal tenha subido para 1.º lugar nas apostas assim que o Papa Francisco aterrou em Portugal. Coincidências? Eu cá não acredito nelas.  

 

O que interessa agora é continuar a seguir a carreira dele, continuar a apoiá-lo e a ouvir as suas músicas. Mas, uma última vez (este mês pelo menos) eis a versão que nos levou à vitória da final e é a minha favorita:

 

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