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Few days on land

Um retrato do dia-a-dia de uma jovem de viagens quase sempre musicais e nem sempre coloridas.

Amanhã não é mais um dia

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Amanhã não é mais um dia. Amanhã é o dia. 

Se eles soubessem o quanto o dia de amanhã é importante, estavam aqui. Mas não estão. Segue a vida, vivida com confiança em quem nunca nos abandona, em quem nos conhece. Agradeço a Deus pelos obstáculos que põe no meu caminho e pela força que me dá todos os dias para os vencer. Ultrapassei os limites do cansaço e o nervosismo não me deixa, mas confio... Tenho fé. Fé de que o amanhã seja aquilo que eu preciso: um dia sereno com os momentos importantes a correr tal como planeado.

Entretanto, li este poema de Álvaro de Campos e está lá tudo o que havia para dizer sobre o amanhã... Não podia deixar de partilhar um excerto. 

 

ADIAMENTO

"Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã... 

Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã... "

Álvaro de Campos

Sublime!

A todos os que estiverem pelo Norte não percam esta sublime interpretação de Diogo Infante (com não menos sublime música de João Gil!), em cena no Teatro Nacional de São João até ao dia 13. A "Ode Marítima" não podia ter sido interpretada de melhor forma.  Se Álvaro de Campos tivesse existido fisicamente seria exactamente assim. Sem mais, nem menos. Mas a alma, que ele teve e que lhe foi entregue pelo génio da literatura portuguesa que foi (e sempre será) Fernando Pessoa, esteve no São Luiz e viajará agora até ao Porto. E foi bom poder dizer isso pessoalmente ao actor: que representou em palco o Álvaro de Campos que sempre imaginei. Repito: sublime!

 

 
O vídeo apenas mostra uma (muito) pequena parte do espetáculo. Se gostaram deste excerto, imaginem o que poderão achar de toda a interpretação no São João. Assim que o espetáculo regressar a Lisboa, aí vou eu de novo. Vale a pena!